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sexta-feira, 3 de junho de 2016

'PORNO GOSPEL"










Uma peça de teatro chamada Porno Gospel, que está em cartaz na cidade de Curitiba (PR), vem causando polêmica pelo seu título e texto, uma sátira à política local e às lideranças evangélicas nacionais. “Uma Farsa Teatral Baseada em Fatos Reais” , diz a descrição da peça, que está em cartaz desde o último dia 19 de maio, no mini audiório do Teatro Guaíra. Escrita por Mariana Zanette, Ludmila Nascarella, Fernando Cardoso e Marvhem Hd, a peça é dirigida por Mariana Zanette.
A história contada em tom de comédia se passa em Paradise City, “uma cidade perfeita com moradores perfeitos”, e que “após uma catástrofe na Cidade Vizinha recebe milhares de pessoas ‘diferentes”, diz a sinopse do espetáculo teatral. “É ano de eleição para a prefeitura da cidade, a deputada e candidata do Partido Missionário do Senhor, Holly Holla Cristy tenta conseguir apoio com o famoso comunicador do Senhor, o apresentador de TV e pastor Jair Malagaia. Ela luta pela moral, bons costumes e exclusão de toda situação que possa macular a imagem da cidade. Ele, empresário de sucesso, carismático e atraente prega os princípios da moralidade calcado na cura das perversões através de seus produtos gospeis”, diz a divulgação.
A sátira critica a postura das lideranças evangélicas, e faz clara referência aos artistas gospel e ao pastor Silas Malafaia, televangelista e líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC).
A repercussão da peça na mídia local levou o vereador Tiago Gevert (PSC) a iniciar uma coleta de assinaturas para aprovarem uma moção de repúdio ao espetáculo, segundo informações do CGN. Em nota, Gevert afirmou que o título da peça expressa intolerância ao gênero musical evangélico: “Enquanto o tema da Marcha para Jesus deste ano [Somos o povo da cruz] gerou polêmica e alguns promotores se sentiram ofendidos, poucos dias depois nos deparamos com uma obscenidade, traduzida no título de uma peça teatral e mascarada com o conceito de arte para, aí sim, demonstrar total intolerância religiosa.
Esta peça, em cartaz no Teatro Guaíra, deveria ser proibida pelo título profano e pelo texto de caráter difamatório àqueles que professam o Evangelho”, diz o requerimento de Gevert, que deverá ser votado na Câmara Municipal de Curitiba nesta quarta­-feira, 01 de junho.


Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/peca-teatro-porno-gospel-satiriza-pastor-silas-malafaia-83068.html


quarta-feira, 18 de maio de 2016

ARTIGO 56 DO ECA - ESTABELECIMENTO DE ENSINO

ORIENTAÇÕES LEGAIS AOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO – ARTIGO 56 DO ECA

Estatuto da Criança e do Adolescente, anotado e interpretado
Murillo José Digiácomo e Ildeara de Amorim Digiácomo
CAOPCAE/MP-PR
Novembro/2013

Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao
Conselho Tutelar os casos de:
I - maus-tratos envolvendo seus alunos [255];
II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos
escolares [256];
III - elevados níveis de repetência [257].
255 Vide art. 19, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989; arts. 5º, 13, 18, 70 e 245, do ECA e art. 136, do CP. A simples suspeita de que a criança ou adolescente foi vítima de maus-tratos (termo que deve ser interpretado de forma ampliativa, compreendendo a violência e/ou o abuso sexual), já torna a comunicação obrigatória, sob pena da prática da infração administrativa prevista no art. 245, do ECA. A exemplo do que foi dito em comentários ao art. 13, do ECA, em que pese a alusão ao Conselho Tutelar, é mais adequado que os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos sejam comunicados diretamente ao Ministério Público, ao qual incumbe, em última análise, propor ação penal contra os autores da infração, o afastamento do agressor da moradia comum (cf. art. 130, do ECA) e mesmo a suspensão ou destituição do poder familiar (cf. art. 201, inciso III c/c arts. 155 a 163, do ECA), medidas que somente poderão ser decretadas pela autoridade judiciária. Ademais, como não incumbe ao Conselho Tutelar a investigação criminal acerca da efetiva ocorrência de maus-tratos e/ou a decisão acerca da propositura, ou não, das aludidas ações, uma vez acionado somente caberia ao órgão proceder na forma do disposto no art. 136, inciso IV, do ECA, ou seja, encaminhar a notícia do fato ao Ministério Público. Interessante também observar que o art. 245, do ECA não se refere especificamente ao Conselho Tutelar, apenas, mas sim à “autoridade competente”, que no caso para apuração da prática de infração penal contra criança ou adolescente, será o Ministério Público (poder-se-ia falar também da polícia judiciária, porém, pela sistemática estabelecida pelo ECA, e pelos desdobramentos do fato, que podem, como dito, resultar em medias de cunho extrapenal, é preferível acionar diretamente o MP). De uma forma ou de outra, a simples suspeita da ocorrência de maus-tratos já torna obrigatória a aludida comunicação, sob pena da prática da infração administrativa respectiva, devendo os gestores responsáveis pela educação promover a devida orientação (e conscientização) dos profissionais da área, bem como fornecer mecanismos destinados a facilitar as denúncias, como “fichas de notificação obrigatória” ou similares. As denúncias de abuso ou violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser também efetuadas através do telefone “100” (um, zero, zero), que é o número do “Disque-Denúncia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes”, mantido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos - SEDH. No estado do Paraná, o número do disque denúncia estadual (que também é o número utilizado em outros estados) é 181.
256 Vide art. 12, inciso VIII, da LDB, que estabelece ser dever dos estabelecimentos de ensino “notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei” (dispositivo incluído pela Lei nº 10.287/2001, de 20/09/2001). Importante destacar que, como está expresso na lei, a comunicação ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público somente deve ocorrer após esgotados os recursos escolares (diga-se, os recursos disponíveis no próprio Sistema de Ensino), para o retorno da criança ou adolescente à escola. Desta forma, cada Sistema de Ensino deve desenvolver uma política própria de combate à evasão escolar, devendo prever ações a serem desencadeadas no âmbito da escola e do próprio Sistema, se necessário com a colaboração de outros órgãos públicos (como é o caso das Secretarias de Assistência Social, Saúde, Cultura, Esporte e Lazer – de acordo com a estrutura administrativa de cada Ente Federado), com ações a serem deflagradas desde o momento em que são registradas as primeiras faltas reiteradas e/ou injustificadas. A comunicação ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público somente deve ocorrer, portanto, após constatado que tais iniciativas não surtiram o efeito desejado, devendo ser o relato efetuado a tempo de permitir o retorno à escola, ainda com aproveitamento do ano letivo, com a informação acerca de todas as ações desencadeadas junto à criança ou adolescente e também junto a seus pais ou responsável.
257 A constatação da ocorrência de elevados índices de repetência é um claro indicativo da necessidade de repensar a metodologia de ensino aplicada, de modo a adequá-la às necessidades pedagógicas do alunado e aos novos desafios da educação no século XXI. Vale observar que o Conselho Tutelar tem a atribuição de “assessorar o Executivo local na elaboração da proposta pedagógica para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente” (cf. art. 136, inciso IX, do ECA), e que através de sua desejada interlocução com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente local, será possível articular ações (cf. art. 86, do ECA) entre a educação e outros setores da administração (assim como outras entidades e programas de atendimento à população infanto juvenil), capazes de fornecer aos educandos e também aos educadores melhores condições de ensino e aprendizagem.


segunda-feira, 9 de maio de 2016

COMO ENCARAR UM DIVORCIO COM FILHO NO MEIO

Como encarar um divórcio com filhos no meio

Saiba como enfrentar essa difícil situação da melhor forma possível, tanto para o ex-casal quanto para as crianças

Divorciar-se nunca é uma decisão fácil de ser tomada, ainda mais quando há filhos que também sofrerão com a mudança. É preciso pensar neles em primeiro lugar e encarar a situação de forma madura e consciente para que as crianças passem pela transição da melhor maneira possível.
É sempre bom lembrar que separação é diferente de divórcio. A separação significa apenas a extinção dos direitos e deveres do casal, mas, na prática, o homem e a mulher continuam casados e, portanto, não podem unir-se em matrimônio com outra pessoa. Já no caso do divórcio existem duas ações possíveis: extrajudicial e judicial, que ocorre na presença de um juiz.

Os pais que possuem filhos menores de idade devem escolher o divórcio judicial. Nesse caso, eles podem optar pelo processo consensual, no qual as questões burocráticas são acordadas entre eles, e o casal decide com quem os filhos vão ficar. Essa é a opção mais saudável para ambas as partes e, principalmente, para a criança. Caso não haja um acordo entre o casal, ocorre o processo litigioso, em que uma das partes entra com uma ação judicial contra a outra, disputando os bens e a guarda. Essa situação costuma trazer bastante sofrimento tanto para os pais quanto para os filhos, que se veem no meio de uma briga sem fim. É importante observar que todas as decisões e acordos devem ser feitos longe das crianças.
Tipos de guarda
Quem decide a guarda é o juiz. “A partir dos 12 anos a criança pode decidir se ela quer ficar com a mãe ou pai, mas não necessariamente o juiz irá acatar esse pedido”, afirma o advogado especialista em direito de família Nelson Sussumu (SP). Há dois principais tipos de guarda:
Unilateral: é atribuída a um dos genitores, em geral a mãe. A parte que não ficar com a guarda continuará com dever de assegurar a proteção e o desenvolvimento saudável da criança, além de poder participar efetivamente da vida dela, com visitas frequentes e envolvimento nas atividades do filho.
Compartilhada: nesse caso, todas as decisões referentes à criança são tomadas em conjunto, pelo pai e pela mãe. Deveres de sustento, educação e saúde são compartilhados, assim como o direito à convivência constante. A participação na vida do filho, dos dois lados, se torna mais ativa do que quando existe a guarda unilateral. Segundo Nelson, essa é a melhor opção para a criança. A guarda compartilhada ainda pode ser alternada, quando o filho vive um período com a mãe e outro com o pai.

Como contar sobre o divórcio
O ideal é que durante o processo de separação a família tenha o acompanhamento de umpsicólogo para adaptar as crianças a essa nova fase. Segundo a psicóloga Ana Lúcia Castello, do Hospital Infantil Sabará (SP), o pai e a mãe devem contar juntos para as crianças sobre o divórcio, explicando que eles não vão mais morar juntos, mas que continuarão sempre por perto. É necessário passar muita segurança. Se a criança for muito pequena, ou o motivo da separação for traumático, não é preciso contar os detalhes. “Se ela quiser saber o motivo, os pais devem dizer que foi algo que aconteceu aos poucos, que com o tempo eles perceberam que não queriam mais ficar juntos. Tem que deixar claro que isso é um problema deles e que o filho não tem culpa de nada”, explica Ana Lúcia.
A criança precisa estar consciente de que a partir de agora ela terá duas casas e que irá morar com um dos pais e visitar o outro frequentemente. É importante que ela saiba como essa nova rotina irá funcionar para que a adaptação seja mais tranquila. Contextualizar, com a ajuda de desenhos e brinquedos, a casa da mãe e do pai, o que terá em cada um desses lugares e como será o dia a dia vai ajudar na assimilação da criança. Ela precisa conhecer para se sentir segura e confortável com a nova situação.
Possíveis reações dos filhos
O comportamento das crianças diante de um divórcio varia de acordo com a idade. Em geral, quanto menor é o filho, mais fácil será a adaptação. Mas, a mudança brusca pode causar angústia e ansiedade que se refletem em reações regressivas como fazer xixi na cama ou dar chilique por tudo, principalmente com o intuito de chamar a atenção. Além disso, é comum a criança se sentir abandonada ou culpada, achando que o divórcio dos pais é responsabilidade dela.
A partir dos 6 anos, o filho tende a apresentar alterações emocionais dentro de um contexto agressivo ou retraído. A criança costuma se isolar no quarto ou ter atitudes hostis. Ela também pode se sentir culpada pela situação, principalmente se for uma criança desobediente, que acha que o seu comportamento influenciou no relacionamento dos pais.
Para minimizar as reações dos filhos durante e após o processo, os pais devem manter um relacionamento saudável, tranquilizar a criança e deixá-la confiante de que tudo vai dar certo. A separação precisa ser vista não como uma perda, mas como uma nova situação.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Familia/Novas-familias/noticia/2013/07/como-encarar-um-divorcio-com-filhos-no-meio.html

segunda-feira, 21 de março de 2016

COMENTÁRIOS SOBRE A COLEÇÃO "OPERAÇÃO CAVALO DE TROIA"

Operação Cavalo de Tróia

“Muitas pessoas, após a leitura dos anteriores Operação Cavalo de Tróia, me formulam a mesma pergunta: ‘Mas é verdade? Tudo isto é crível?’ E eu me vejo obrigado a repetir a única coisa que sei: que esses documentos existem e que – ainda que alguns se empenhem em pensar o contrário – eu não possuo tanta imaginação. Desafio quem quer que o deseje a construir uma ‘vida de Cristo’ tão rica de lógica, audácia e beleza. Não é tão simples ‘inventar’ discursos de Jesus de Nazaré – práticas inéditas e, o que é mais interessante, cheias de sabedoria – ou esses trinta e dois anos que os crentes designam como ‘vida oculta’. ‘Inventá-los’, claro, com dados, nomes, acontecimentos e circunstâncias coerentes. Em Operação Cavalo deTróia, eu sei, adeja algo ‘mágico’ e ‘real’, alheio a mim mesmo. Eu não fui senão simples instrumento. Em suma, e não me cansarei de insistir nisso; é o coração do leitor que deve ‘sentir’ se estas narrações acerca de Jesus são ou não críveis. Que cada qual, portanto, no mais íntimo de seu ser, julgue e decida de acordo com os ditames de sua consciência. Essa jamais se equivoca...”

Esse texto, nem um pouco despretensioso, do autor e jornalista espanhol Juan José Benítez, encontra-se na contracapa do terceiro volume da série Operação Cavalo de Tróia(que acabou de receber seu oitavo volume). J. J. Benítez nasceu em Pamplona, em 1946. Estudou Jornalismo na Universidade de Navarra e trabalhou como repórter nos diários La Verdad, de Múrcia, e El Heraldo de Aragón, em Zaragoza. Seu interesse por temas misteriosos, “ocultos” e fascinantes surgiu ao iniciar seu trabalho na Gaceta Del Norte, em Bilbao, onde entrou em contato com o assunto dos ovnis. Em 1975 trocou a carreira de repórter pela de escritor, com a publicação de seu primeiro livro. Descobriu o rendoso filão da literatura de mistério e hoje possui dezenas de livros publicados.

Com Operação Cavalo de Tróia, best-seller mundial em oito volumes, com mais de 30 edições para o primeiro volume só na Espanha, J. J. Benítez se aventura nos fatos e acontecimentos concernentes à vida de Jesus e Sua época. Benítez insiste em ser apenas um mediador. Diz ele que um militar e cientista da Força Aérea Norte-Americana, em seu refúgio no México, no fim da vida, confiou-lhe documentos que revelam a suposta execução de uma experiência que permitiu a uma dupla de militares da Força Aérea dos Estados Unidos voltar no tempo quase dois mil anos e ser “testemunha ocular” e “participante” dos últimos dias de Jesus Cristo na Terra, desde Sua entrada em Jerusalém até Sua prisão, julgamento, crucifixão e ressurreição. Essa experiência, batizada pela Nasa de “Operação Cavalo de Tróia”, teria sido realizada sigilosamente em 1973, em pleno coração de Israel.

Os dois primeiros volumes de Operação Cavalo de Tróia relatam a viagem do major norte-americano que, a bordo de um módulo projetado pela Força Aérea, se desloca no tempo até a Palestina do ano 30, acompanhando os derradeiros onze dias da vida de Jesus antes de Sua crucifixão e as primeiras evidências de Sua ressurreição. Em Operação Cavalo de Tróia 3, o cenário é a Galiléia, região de pescadores, onde o Nazareno escolheu Seus discípulos e onde pregou e viveu muitos anos. O autor fala, inclusive, a respeito das aparições de Cristo às margens do Tiberíades. Nesse volume o major inicia um diálogo com Maria, mãe de Jesus, que culmina no volume 4, intitulado Nazareth. “Prato cheio” para as especulações do autor, pois trata dos chamados “anos ocultos” de Cristo, ou seja, de Seus 14 aos 26 anos. Por se tratar de livros com fundo científico e histórico impressionante, muitos passam a, senão acreditar, não desacreditar totalmente de sua suposta veracidade. Nos volumes seguintes da série, o enredo continua o mesmo, com mais “revelações” sobre o Filho de Deus.

O autor, para explicar o mecanismo utilizado na volta ao tempo, chega a reformular as próprias bases da física moderna. Termos técnicos e definições complicadas entremeiam o texto. Outro fator que empresta certa “seriedade” aos livros é a citação de historiadores abalizados, como Flávio Josefo, para fundamentar a explanação dos costumes e contexto histórico.

Até aqui, tudo bem. Não passa de uma série de oito volumes com a pretensão de verdadeiros, ficando a critério do leitor avaliar ou não sua credibilidade. Entretanto, o problema surge quando, ao se perscrutar suas milhares de páginas, percebem-se frases como estas: “Este fato, como outros que pouco a pouco iria descobrindo, não havia sido incluído claramente nos Evangelhos Canônicos que conhecemos”; “...não foi descrita corretamente pelos evangelistas”; “Aquele episódio, certamente, nada tinha que ver com o que se conta nos Evangelhos”; “...uma possível confusão por parte de São Mateus”; “...seria pouco menos que impossível que suas palavras [de Jesus] pudessem ser recolhidas no futuro, integralmente e com total fidelidade”; “...meus pequenos de hoje [os apóstolos] terminarão por alterar involuntariamente minha [de Jesus] mensagem...”; “...ao menos nesta parte os Evangelhos Canônicos foram pessimamente escritos. Mas, desgraçadamente, não iria ser esta a única passagem ignorada ou mal-interpretada pelos evangelistas...”

A lista poderia ser ampliada (são cerca de 50 do tipo, espalhadas só nos primeiros quatro volumes da série), mas essas afirmações já bastam para se ter uma idéia do problema. Diversas vezes o autor tenta, de forma sutil ou mesmo explícita, depreciar as Sagradas Escrituras, colocando seus escritos em nível superior aos da Bíblia. Dizer que os Evangelhos foram “pessimamente escritos” ou que houve “má interpretação pelos evangelistas”, é supor que as Escrituras foram simplesmente obra de seres humanos não inspirados. Na verdade, Benítez tenta fazer o leitor crer que nada de inspirado há na Bíblia e que seus escritores encontram-se em aberta contradição com relação à cronologia histórica e consigo mesmos. Todavia, sabemos que os cerca de 40 escritores das Escrituras, desde pastores a reis, jamais se contradisseram, pois “toda a Escritura é divinamente inspirada” (2Tm 3:16) e “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21).

Outros “problemas” na área teológica aparecem nos diálogos do major com “Cristo”. Na página 172 do volume 1, “Jesus” responde à pergunta do militar norte-americano sobre a morte dos ímpios nos seguintes termos: “Eles se darão conta, ao deixar este mundo, de que ninguém lhes perguntará por seus crimes, riquezas, poder ou beleza.” Note que é este justamente o objetivo do inimigo de Deus: deixar os homens despreocupados com o juízo vindouro, levando uma vida impenitente até que não haja mais oportunidade de arrependimento. Na página 174 do mesmo volume, “Cristo” faz uma alusão ao evolucionismo: “...muito antes que o homem fosse capaz de erguer-se sobre si mesmo, meu Pai havia semeado a beleza e a sabedoria na Terra.” Na página 200, o major faz uma grave declaração: “...os ‘santos’, ou ‘separados’ criam que, na ressurreição, os corpos se levantavam fisicamente. E Jesus, em Suas afirmações, não Se referiu a este tipo de ressurreição...”

A Bíblia diz, sim, que seremos transformados (1Co 15:51) e passaremos a ter um corpo glorioso, mas de modo algum “espiritual” ou “etéreo”, como o autor deixa transparecer em sua obra.

Outras duas declarações, analisadas em seu mais profundo sentido, abalariam os próprios fundamentos do cristianismo: “Cada geração de crentes deve levar por diante sua obra, com vistas ao possível retorno do Filho do homem” (p. 225, vol. 1, itálico acrescentado); “...as absurdas e falsas idéias sobre o ‘retomo’ do Mestre...” (p. 324, vol. 3). Chamar a volta de Jesus de “possível” e “absurda” é pôr em dúvida a “bem-aventurada esperança” (Tt 2:13) de toda a Bíblia e de todos os cristãos sinceros em todos os tempos. No Novo Testamento, um em cada onze versículos se refere à segunda vinda pessoal, real e visível de Cristo, e em toda a Bíblia há cerca de 2.500 referências a esse grande acontecimento (veja Ap 1:7; Jo 14:2 e 3; At 1:11; Mr 13:26; Hb 9:28; ITs 4:15; Mr 8:38; Fp 3:20 e 21, etc.).

Na página 175 do segundo volume, encontramos a ideologia que permeia todos os escritos do autor: o espiritismo: “Cada uma das inúmeras moradas da Casa de meu Pai é um lugar de passagem, uma vida projetada para servir-vos de preparação para a seguinte.” Além do mais, expressões como “forças espirituais”, “entidades espirituais”, “alma imortal” e outras aparecem vez ou outra em suas obras. A Bíblia é clara neste assunto: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9:27).

No volume 3, páginas 300 e 301, o escritor usa palavras que Cristo nunca disse para deixar claro seu pensamento: “Em meu Reino há muitas moradas... e uma delas é passagem obrigatória para os mortais que procedem dos mundos evolucionários do tempo e do espaço.” “Todavia, podeis desfrutar a esperança de que ninguém, ninguém, pode perder esse direito [o da ressurreição].” É a mesma mentira original de Satanás: “Certamente não morrereis” (Gn 3:4). Quanto à salvação, veja Marcos 16:16.

Nas páginas 279 e 305 dos volumes 1 e 3, respectivamente, o autor deixa transparecer influências orientalistas em sua obra. Nas referidas páginas, Benítez, através do diálogo do major com “Cristo”, afirma que a verdade é inerente a todo ser humano, basta encontrá-la dentro de si (quanto a isso, veja Jo 14:6), terminando por sustentar que todo ser humano possui algo de Deus dentro de si, sendo, por conseguinte, também Deus (panteísmo). Típico argumento da filosofia Nova Era e totalmente antibíblico.

O fascínio do autor pelos ovnis também aparece em Operação Cavalo de Tróia. Benítez sugere que as trevas sobrenaturais que ocorreram por ocasião da morte de Cristo foram causadas por um enorme disco voador que se teria interposto entre a Terra e o Sol, bloqueando a luz solar. Também na agonia de Jesus no horto do Getsêmani, Benítez faz alusão a um objeto voador que teria ficado pairando sobre o Nazareno.

A relação de especulações e de meias e falsas verdades poderia prosseguir, mas encerro com a mais contundente e grave: “Eu [‘Jesus’] não vim ao mundo para saldar uma suposta velha conta dos homens para com Deus...”; “...toda idéia de resgate ou expiação, portanto, é incompatível com o conceito de Deus”; “Antes de eu vir a este mundo (e até mesmo se eu não tivesse vindo), todos os mortais do Reino dispunham já da salvação” (v. 3, p. 307, 308). Não creio que o autor conhecesse as reais implicações dessas asserções. Caso fosse assim, você, ele, eu, todos estaríamos sem esperança, pois nossa salvação depende da aceitação do sacrifício de Cristo na cruz; somente o precioso sangue de nosso Senhor Jesus tem o poder de salvar. Isso jamais foi e jamais será um dom inerente ao ser humano.

Não é tarefa fácil avaliar o conteúdo de oito volumes em espaço tão limitado, mas creio que o que foi exposto já é suficiente para desmistificar essa obra que por muitos é considerada real. O título Operação Cavalo de Tróia é bastante adequado quando conhecemos a história da operação original que levou esse nome. Usando um cavalo oco, guerreiros gregos romperam o cerco de Tróia. Assim trabalha Satanás. Utiliza meios aparentemente inofensivos, através dos quais semeia o erro e a mentira. Por isso devemos ter sempre em mente as palavras de Ellen G. White: “Teorias falsas serão misturadas com cada fase da experiência e defendidas com zelo satânico a fim de cativar a mente de toda a alma que não está arraigada e fundada em um conhecimento completo dos princípios sagrados da Palavra” (Manuscrito 94, 1903).

Michelson Borges, jornalista e mestrando em Teologia pelo Unasp


FONTE: http://www.criacionismo.com.br/2008/05/operao-cavalo-de-tria.html

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

AO MEU PAI QUE ASSISTE PORNOGRAFIA, DE SUA FILHA

Querido Papai,

Antes de tudo, eu quero que você saiba que eu te amo e te perdoo pelo o que isso tem causado em minha vida. Eu também queria que você soubesse exatamente o que seu uso de pornografia tem feito na minha vida. 
Você pode achar que isso afeta somente você, ou mesmo os relacionamentos da mamãe e os seus. Mas isso tem tido um profundo impacto sobre mim, assim como sobre todos os meus irmãos.
Eu descobri a pornografia no seu computador por volta dos doze anos, mais ou menos, assim que estava começando a tornar-me uma jovem. Primeiro, me pareceu bastante hipócrita da sua parte que você estivesse tentando ensinar-me o valor do que eu deixo entrar na minha mente em termos de filmes, enquanto você entretinha regularmente sua mente com esse lixo. Suas conversas sobre tomar cuidado com o que eu assistia significavam virtualmente nada.
Por causa da pornografia, eu sabia que a mamãe não era a única mulher para quem você olhava. Eu passei a dolorosamente perceber seus olhos erráticos quando nós saíamos por aí. Isso me ensinou que todos os homens têm olhos assim e não se pode confiar neles. Eu aprendi a desconfiar e mesmo a detestar os homens pela maneira como eles percebiam as mulheres dessa forma. 
Em relação à modéstia você tentou conversar comigo sobre como minhas roupas afetam aqueles que estão ao meu redor e como eu deveria valorizar a mim mesma pelo que eu sou por dentro. Suas ações, entretanto, ensinaram-me que eu somente seria verdadeiramente bonita e aceita se me parecesse com as mulheres nas capas das revistas ou na indústria pornográfica. Suas conversas comigo não significaram nada e, na verdade, apenas me deixaram com raiva.
Quando eu cresci, tudo o que tive foi essa mensagem reforçada pela cultura em que vivemos. Essa beleza é algo que só pode ser alcançada se você se parecer com “elas”. Eu também aprendi a confiar em você menos e menos enquanto o que você me ensinava não se alinhava com o que você fazia. Eu me perguntava mais e mais se algum dia eu encontraria um homem que me aceitaria e amaria por quem sou, não apenas por um rosto bonito.
Quando minhas amigas estavam em casa, eu me perguntava como você as percebia. Você as enxergava como minhas amigas ou você as via como rostos bonitos em uma de suas fantasias? Nenhuma garota deveria questionar isso sobre o homem que supostamente deveria estar protegendo ela e as outras mulheres de sua vida.
Eu conheci um homem. Uma das primeiras coisas que eu perguntei a ele foi sobre sua dificuldade com pornografia. Eu estou grata a Deus porque isso não foi algo que teve controle sobre sua vida. Nós ainda temos conflitos por causa da desconfiança dos homens profundamente arraigada em meu coração. Sim, pai, o fato de você assistir pornografia tem afetado meu relacionamento com meu marido anos depois.
Se eu pudesse lhe dizer uma coisa, seria isso: a pornografia não afetou apenas sua vida; ela afetou todos à sua volta, de maneiras que eu não acho que você sequer imagine. Ela ainda me afeta até hoje quando percebo o poder que ela tem sobre nossa sociedade. Eu temo pelo dia em que terei de conversar com meu doce garotinho sobre pornografia e suas compridas e vorazes garras. Quando eu lhe contar sobre como a pornografia, como muitos pecados, afeta bem mais do que apenas nós.
Como disse, eu te perdoei. Sou muito grata pelo que Deus tem feito em minha vida nessa área. É uma área em que eu ainda tenho conflitos de tempos em tempos, mas estou grata pela graça de Deus e também pela de meu marido. Eu oro para que você tenha superado isso e que os muitos homens que lutam com isso tenham seus olhos abertos.

Com amor, Sua Filha.

* Por conta da natureza do tópico, o post original foi publicado anonimamente***

Do blog Reforma21......