Psicopatia e/ou
sociopatia (como também é conhecida) é a designação atribuída para um indivíduo com um padrão comportamental e/ou traço de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela pertença de uma atitude de dominância desmedida. Esse tipo de comportamento agonista é relacionado com a ocorrência de delinquência, crime, falta de remorso e dominância, mas também é associado com competência social e liderança. A psicopatia, descrita como um padrão de alta ocorrência de comportamentos violentos e manipulatórios, é frequentemente considerada uma expressão patológica da agressão instrumental, além da falta de remorso e de empatia
1 . A psicopatia está diretamente relacionado com o
Transtorno de Personalidade Antissocial, contudo estas condições não são sinônimos, uma vez que este é uma classificação médica e a psicopatia é uma classificação de um padrão comportamental científico. Ou seja, alguém pode ser classificado como sendo portador de Transtorno de Personalidade Antissocial sem atender aos critérios para ser classificado como psicopata.
- Transtorno de personalidade caracterizado pelo sentimento de desprezo por obrigações sociais ou falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.2
Embora popularmente a psicopatia seja conhecida como tal, ou como "
sociopatia", cientificamente, a doença é denominada como sinônimo do diagnóstico do transtorno de personalidade antissocial.
[carece de fontes]
A psicopatia parece estar relacionada a algumas importantes disfunções cerebrais, sendo importante considerar que um só único fator não é totalmente esclarecedor para causar o distúrbio; parece haver uma junção de componentes. Embora alguns indivíduos com psicopatia mais branda não tenham tido um histórico traumático, o transtorno - principalmente nos casos mais graves, tais como sádicos e
assassinos em série - parece estar associado à mistura de três principais fatores: disfunções cerebrais/biológicas ou traumas neurológicos, predisposição genética e traumas sócio psicológicos na infância (ex, abuso emocional, sexual, físico, negligência, violência, conflitos e separação dos pais etc.). Todo indivíduo antissocial possui, no mínimo, um desses componentes no histórico de sua vida. Entretanto, nem toda pessoa que sofreu algum tipo de abuso ou perda na infância tornar-se-á um psicopata sem ter uma certa influência genética ou distúrbio cerebral; assim como é inadmissível afirmar que todo indivíduo com pré disposição genética se tornará psicopata apenas por essa característica. Portanto, a junção dos três fatores torna-se essencial; há de se considerar desde a genética, traumas psicológicos e disfunções no cérebro (especialmente no lobo frontal e sistema límbico)
1 .
O psicólogo português
Armindo Freitas-Magalhães é o autor do projeto científico pioneiro "Psicopatia e Emoções em Portugal" (2010)
4 com o objectivo de compreender os processos cerebrais envolvidos nas reações neuropsicofisiológicas da expressão facial da emoção, conhecer a razão pela qual o padrão de emocionalidade negativa é recorrente na psicopatia, se há diferenças de género e idade e procurar os motivos orgânicos e ambientais envolvidos e estabelecer um padrão que permita o tratamento e a profilaxia do crime. Para verificar e analisar o cérebro dos psicopatas e a relação correspondente à expressão facial, será utilizada a imagiologia de ressonância magnética funcional (fMRI), a psicometria neurofuncional e as plataformas informáticas que estimulam os sistemas cerebrais, particularmente o límbico.
De maneira geral, nos homens, o transtorno tende a ser mais evidente antes dos 15 anos de idade, e nas mulheres pode passar despercebido por muito tempo, principalmente porque as mulheres psicopatas parecem ser mais discretas e menos impulsivas que os homens
5 , e por se tratar de um
transtorno de personalidade, o distúrbio tem eclosão evidente no final da
adolescência ou começo da idade adulta, por volta dos 18 anos e geralmente acompanha por toda a vida.
Características resumidas e curiosidades
- Psicopatia é sinônimo de antissocial, de pessoas que não seguem as leis e nem as regras ditadas pela sociedade e, através de seus atos, provocam danos à mesma;
- Para cada 25 pessoas, 1 ao menos exibe traços psicopáticos, mas a amostragem é imprecisa;
- Podem ter uma autoestima ou visão de si próprios elevada;
- Frequentemente são pessoas autossuficientes e vaidosas;
- Muitas vezes exibem um encanto superficial, são sedutoras e conquistam facilmente as outras pessoas;
- Frequentemente são bastante volúveis e inconstantes;
- Não possuem empatia, tendem a ser insensíveis, cínicas e a desprezar os sentimentos e direitos alheios;
- Possuem dificuldade em manter relacionamentos duradouros, embora consigam estabelecer um novo facilmente;
- Mentem frequentemente de forma tão realista que raramente outras pessoas descobrem ou desconfiam;
- É comum a necessidade de ter autoridade: são pessoas que necessitam estar sempre no comando ou poder, detestam serem comandados ou submissos;
- Frequentemente possuem tendências sadomasoquistas;
- São extremamente manipuladoras, manipulam pessoas, ambientes, fatos e circunstâncias a seu favor;
- Não possuem sentimentos de culpa ou arrependimento;
- Geralmente são pessoas frias, raramente demonstram algum tipo de afetividade e quando demonstram, costumam ser superficiais;
- Podem ser inconstantes, detestar rotina e monotonia e enjoar fácil de tudo;
- Não possuem empatia: não entendem o que é estar no lugar do outro;
- São excessivamente racionais e calculistas, tem dificuldade em pensar emocionalmente e age mais racionalmente acreditando agir por suas emoções;
- Geralmente céticas ou desconfiadas em demasia, e por isso mais persuasivas;
- Frequentemente irresponsáveis: tendem a jogar a culpa sempre nos outros, não se responsabilizando pelas próprias condutas, tendo mania de perseguição e arranjando sempre algo ou alguém como culpado;
- Possuem necessidade de estimulação constante, assim como sensibilidade ao tédio e um vazio existencial;
- Falta de metas a longo prazo ou mudanças constantes de metas;
- São impulsivas em relação à agressividade, violência e impulsos sádicos;
- Tendem a ser infiéis e seus relacionamentos íntimos geralmente não são duradouros;
- Podem possuir vida dupla: socialmente sendo pessoas exemplares, mas com pessoas no convívio intimo se mostrarem totalmente diferentes;
- Costumam ser irritadiças e podem atacar fisicamente por impulso num momento de raiva;
- Quase sempre dão mais valor ao material do que ao sentimental e sempre dizem o oposto, inclusive podem ser oportunistas obcecadas por melhores condições de vida;
- Bastante críticas em relação à moralidade e à ética. Para elas, "regras foram feitas para serem quebradas" e "os fins justificam os meios";
- Possuem mudanças súbitas de temperamento;
- Frequentemente, psicopatas se dão bem em entrevistas de empregos, manipulam as pessoas e conquistam a confiança de todos facilmente no ambiente de trabalho;
- Geralmente acham que estão certas e que seu estilo de vida é o mais correto e adequado.
- Em casos graves podem não reagir com aversão a comportamentos condenados socialmente, como homicídios, por exemplo.
- Quando colocadas sob pressão, como por exemplo, a morte de algum parente, choram por sentir a perda do auxilio que a pessoa lhe prestou e poderia prestar;
- Frieza emocional (sadismo), capacidade de fingir extremamente bem, vontade de enganar as pessoas e ausência de remorso. É a receita ideal para um assassinato cometido por um psicopata;
- Expressa pouco ou nenhum amor, afetividade, carinho etc. É capaz de grandes e admiráveis declarações, mas tem como hábito não dar atenção a filhos, pais, parentes, cônjuge ou amantes.
- Geralmente são pessoas com sorrisos fáceis, amáveis quando lhe convêm e absolutamente frias quando julgam necessário;
- A frieza ao agir faz com que as pessoas psicopatas provavelmente não se arrependam dos erros que cometem, assim as pessoas podem desenvolver gosto pela sensação de perigo. Acredita-se que o distúrbio que estimula o comportamento sádico do psicopata resulte de um desvio neurológico, capaz de induzir principalmente ao homicídio;
- Pode utilizar-se da sedução para conseguir o que quer dos outros;
- Sua capacidade de parecer uma pessoa boazinha, educada e inofensiva costuma ser bastante convincente. É comum que os outros não desconfiem de se tratar de um (a) psicopata.
Tratamento
As formas mais comuns de medicamentos utilizados em pacientes de transtornos de personalidade são os neurolépticos, antidepressivos, lítio, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes e psicoestimulantes. Porém tratamentos medicamentosos revelaram ser ineficazes no tratamento de psicopatia, porém poucos estudos foram realizados adequadamente
12 . Mesmo com poucos testes, sais de
lítio são usados frequentemente no tratamento de pacientes psicopatas, pois podem levar a uma redução nos comportamentos impulsivos, explosivos e na instabilidade emocional. Seus principais efeitos colaterais são sedação, tremores e problemas motores.
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Psicoterapias com pacientes com personalidade violenta em liberdade condicional reduziram os índices de reincidência para 20 e 33% comparado com 40 a 52% dos grupos controles. Os autores concluem que a personalidade dos pacientes não mudou, porém eles aprenderam a controlar melhor seus impulsos e pensarem mais nas consequências de seus atos.
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